sábado, 17 de dezembro de 2011

Feche a boca e abra os braços

Uma menina de quatro anos derrubou o abajur de seu quarto. 
A mãe depois de certificar de que a filha não estava machucada, pensou sobre aquele abajur ser uma antiguidade, sobre estar em sua família há três gerações, sobre ela precisar ter mais cuidado e como foi que aquilo tinha acontecido – e só então percebeu o pavor estampado no rosto da filha. Os olhos estavam arregalados, o lábio tremia. 
A mãe lembrou das palavras de sua mãe que sempre dizia: "Quando uma criança está em apuros, feche a boca e abra os braços".
Então ela abriu os braços e a filha correu para eles dizendo:
– Desculpa... Desculpa – repetia, entre soluços. 
Sentaram-se na cama, abraçadas, se embalando. A mãe se sentia péssima por tê-la assustado e por fazê-la crer, até mesmo por um segundo, que aquele abajur era mais valioso do que ela.
– Eu também sinto muito – disse a mãe quando a filha se acalmou - Gente é mais importante do que abajures. Ainda bem que você não se cortou.
Ambas se perdoaram. O incidente do abajur não deixou marcas perenes. 
É melhor segurar a língua do que tentar voltar atrás após um momento de fúria, medo, desapontamento ou frustração.

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